"Antidoping de raquete" tumultua treino do tênis de mesa paralímpico

Qualifique este item
(1 vote)

Data: 29/08/12, por Danilo Vital

Os bastidores da Excel Arena em Londres ficaram tumultuados na manhã desta sexta-feira: uma fila enorme se formou para a realização de minuciosos exames em busca de substâncias proibidas.

O teste antidoping das raquetes de tênis de mesa que serão utilizadas nos Jogos Paralímpicos se transformou em uma preocupação extra para os atletas, com possibilidade de eliminação da disputa.

"Está parecendo fila do SUS (Sistema Único de Saúde)", disse o coordenador do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), José Ricardo Rizzone.

Os atletas de todo o mundo se alinharam para passar as raquetes por máquinas de alta tecnologia, responsáveis por analisar textura, medidas e, principalmente, o material que reveste a borracha.

Colas feitas a partir de solvente, por exemplo, estão proibidas, por permitirem vantagens indevidas.

"A cola com solvente deixa a raquete mais rápida e você percebe pelo som que a bolinha faz quando é rebatida. Nós usamos cola com base d'água, essa é permitida. Do outro jeito o efeito da bolinha muda, é como e você fizesse menos esforço para jogar", apontou o mesatenista Carlos Carbinatti, um dos estreantes da delegação do Brasil em Paralimpíadas.

O sistema de checagem, por exemplo, tem suas brechas. "Parece que tem um óleo belga que a máquina não pega, mas é complicado", explicou Carbinatti. Se algum problema é detectado - desde a grossura da borracha ao revestimento da mesma - os atletas recebem tempo hábil para modificar o equipamento ante de nova revisão.

A partir da fase decisiva da competição, todos os vencedores têm que submeter as raquetes a novos testes. Se forem pegos, são eliminados. "É mais uma preocupação grande para os atletas do Brasil", disse José Ricardo Rizzone, que reclamou do tumulto nos bastidores.

"É uma fata de organização tremenda. Tinha que ser feito ao longo de três dias, assim não dá", afirmou. Só o Brasil precisou inspecionar 28 raquetes - duas de cada um dos 14 classificados para a Paralimpíada. De acordo com o dirigente, nunca houve casos de doping da raquete entre esportistas do País.

Fonte: Terra Esportes