Seg, 23 de Maio de 2011 14:42

História

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A Origem do Tênis de Mesa

Três dos modernos jogos populares de raquete descendem diretamente do antigo jogo medieval de “Tênis”, que costumava ser jogado tanto ao ar livre quanto em espaços fechados. Todos nasceram e evoluíram na Inglaterra durante a Segunda metade do Século XIX: o Tênis de Campo, praticado com uma bola mais macia – Borracha coberta de felpo, em terrenos gramados; o Tênis de Mesa (do mesmo modo um passatempo social) em salas comuns; e Badminton, no qual usava-se uma peteca no lugar de uma bola. Todos os 3 são hoje em dia esportes atléticos que exigem rapidez e destreza.  
 
As primeiras lembranças registradas do Tênis de Mesa revelam um jogo rude iniciado por estudantes universitários com livros dispostos no lugar de uma rede , e por militares que o praticavam com equipamentos improvisados no país e no exterior. A primeira menção de um catálogo de produtos esportivos é de F.H. Avres, 1884. A mais primitiva patente até agora encontrada em conexão com o jogo foi a no. 19.070 de 1891, de Charles Baxter de Moreton – in – the Marsh, Gloucestershire, England. 
 
Raquetes podiam ser de madeira, papelão ou tripa animal, coberturas algumas vezes por cortiça, lixa ou tecido; bolas de cortiça ou borracha, redes de diferentes alturas, algumas vezes consistindo de apenas um simples fio; mesas em diferentes tamanhos, partidas com contagens de 10, ou 20, ou 100, saque com um quique inicial na metade da mesa do sacador (o atual sistema), ou diretamente na outra metade da mesa de encontro a um espaço limitado ou não, porém com a obrigatoriedade do sacador estar afastado da linha de fundo da mesa. Nunca figuravam menos de 4 tipos diferentes de duplas. E em qualquer caso, o que era virtualmente o mesmo tipo de jogo tinha muitos nomes. 
 
Nesse mesmo séc. XIX, um corredor de maratonas inglês aposentado – James Gibb – voltou de uma viagem de negócios dos Estados Unidos com bolas de celulóide de brinquedo, que ele imaginou pudessem ser úteis para esse jogo em seu país. Ouvindo-as serem golpeadas por raquete oca, de cabo longo e feita de pergaminho (pele de carneiro), então popular, associou os sons produzidos pela bola na raquete com as palavras pingue-pongue, dando origem ao nome do jogo. Ele submeteu esse nome ao amigo-vizinho John Jaques fabricante de produtos de esporte de Groydon. Este registrou-o através do mundo (os direitos para “USA” foram mais tarde vendidos de Jaques para Parker Bros) e ajudado por esse feliz coloquialismo, o jogo passou a ser uma mania elegante na virada do século. 
 
Tão rápido quanto cresceu ele morreu, e permaneceu quiescente na Grã Bretanha por 18 anos. O colapso talvez possa ser atribuído a várias causas: o grande número de sistemas de jogos rivais e supostos organizadores (nada menos de 14 livros de instruções são registrados no Catálogo da Biblioteca do Museu Britânico, que foram confeccionados neste curto período), uma certa monotonia do jogo quando jogado com equipamento inadequado e a invenção (em 1902) da borracha com pinos para a superfície da raquete, possibilitando tão grande efeito e velocidade que criou um enorme e imediato abismo entre experts e estreantes. 
 
Um programa maior ocorreu na Europa Central. Em 1905/1910 o jogo foi introduzido em Viena e Budaqpeste por um representante de máquinas de escrever e futebolista amador – Edward Shires. Mesmo anteriormente (provavelmente em 1889) – implementos para jogar o Tênis de Mesa chegaram ao Japão, vindod a Grã Bretanha, o que resultou numa peculiar distribuição que durou, na China, Coréia e Hong-Kong, até final de 1920. Mas ambos esses transplantes vieram produzir sementes importantes em etapas posteriores da história. 
 
O Renascimento foi iniciado na Inglaterra e em seguida no país de Gales. Em 1922, após a 1ª Guerra Mundial, J.J. Payne de Luton, um organizador dos velhos tempos, e Percival Bronfield de Beckenham, um campeão nacional inglês adolescente em 1904, seguidos por ª F. Carris de Machester, como também por outros veteranos e novatos ( o assinante dessa carta sendo um desses), formaram uma Associação de pingue-pongue mas, encontrando-se legalmente impedidos por uma marca registrada, dissolveram-se incontinenti e se reorganizaram no mesmo dia sob o velho nome do jogo. Eles redigiram cuidadosamente as regras do jogo, com o intuito de obter sua aceitação nacional por todos os adeptos, e estimularam a criação e venda de alto padrão de equipamentos. O sistema de duplas escolhido foi o que era praticado em outras épocas em Manchester. Quatro anos mais tarde as regras tiveram penetração e foram de boa vontade aceitas no exterior. O Código então tornou-se a base das regras internacionais, e o nome Tênis de mesa o oficial, quando a I.T.T.F. foi fundada em 1926. As modificações do jogo adotadas desde então têm sido: 
- A altura da rede de 6,34” por 6”. 
- A proibição do uso da mão livre para criar efeito no saque (uma invenção dos EUA nos anos de 1930). 
- A padronização parcial da raquete; a regra atual estabelece uma lâmina simples de madeira, ou coberta diretamente por uma borracha com pinos, ou por “sandwich” (uma camada de borracha de esponja por baixo dessa cobertura). 
- Uma regra de limite de tempo (adaptada a regra da U.S.T.T.A.), limitando a duração dos sets (21 pontos) em 15 minutos. 
 
Com base nessas regras o diminuto espaço e tempo requeridos, em comparação com muitos outros esportes atléticos, o Tênis de Mesa em 76 tornou-se um esporte de massa, com 124 Associações filiadas à I.T.T.F., muitas delas com centenas de milhares de jogadores filiados (URRS e China: respectivamente, mais do que um milhão e mais do que 2 milhões).


Fonte: A origem do tênis de mesa


No Brasil

 As pesquisas que realizamos para fixar as origens levaram-nos a conclusões que não devem ser tomadas como definitivas, principalmente porque nos limitamos ao Rio de Janeiro e São Paulo, conseguindo nestes dois centros recuar até 1905. Entretanto, os dados coletados são verídicos, fornecidos pelo Sr. Lido Piccinini (SP), comprovados por recortes de jornais e outros documentos existentes nos arquivos destes desportos, a quem apresentamos nossos agradecimentos. Destas buscas surgiu a conclusão sobre a controvérsia brasileira – ping-pong x tênis de mesa – como dois desportos diferentes ou, como sendo um passatempo e outro desporto.  
 
O que houve realmente foi que os iniciantes da prática no Brasil eram turistas ingleses que, mais ou menos em 1905, começaram a implantá-lo em São Paulo. O nome teria de ser ping-pong, pois a época era a da “epidemia” deste nome em Londres; as dimensões da mesa, os seus praticantes possuíam de memória e a contagem era a adotada na época, na Inglaterra, bem como o saque diretamente por cima da rede. O que aconteceu em seguida foi que o tênis de mesa brasileiro marchou sempre atrasado em relação ao mundial, por falta de contato até 1940.  
 
Podemos fixar o ano de 1912 como o início das atividades organizadas do tênis de mesa, pois até então era praticado em casas particulares e em clubes. Naquele ano foi disputado o primeiro Campeonato por equipes em São Paulo, saindo vencedor o Vitória Ideal Clube. No ano seguinte venceu o Mackenzie, a ACM em 1914/1915, e o Atlético Ipiranga até 1922. O primeiro campeonato individual foi no ano do Centenário e o seu vencedor foi Júlio Alvizu, tendo sido disputado de acordo com as regras codificadas e publicadas por Leopoldo Santana. Em 1926, surgia a Liga Paulista de Ping-Pong, sendo seu primeiro presidente Lido Piccinni e seu primeiro campeonato oficial vencido pelo Castelões Futebol Clube.  
 
Se o tênis de mesa entrou no Brasil pela porta de São Paulo, tudo indica que, inicialmente, teve sua marcha acelerada no Rio de Janeiro. Embora não tivéssemos conseguido dados preciosos, apuramos que em 1924 já se praticava no Vasco da Gama o desporto da bolinha branca e sua equipe e sua equipe era constituída por Adão, Luzitano, Carnaval e Lopes e que a Liga Carioca de Ping-Pong deve Ter sido fundada antes da Paulista pois, em 1926, a filiação do Ubá Ping-Pong Clube foi negada por não possuir o mesmo recinto fechado para a prática do desporto.  
 
Em 1929, um jogador alemão Máximo Cristal chegou a São Paulo empunhando uma raquete com pino e venceu os ases de São Paulo e o “Ourives e Afins Soc. Recreativa” campeão do ano retirou-se da Liga fundando a Associação Paulista de Ping-Pong cujo primeiro foi Miguel Munhoz. Até 1938 marchou o ping-pong com altos e baixos em São Paulo mais ou menos controlado pelas duas entidades até 1934 quando a liga se extinguiu. No Rio de Janeiro sob a direção da Liga Carioca de Ping-Pong da qual faltam dados preciosos e, marchando mais à custa de iniciativas particulares, umas até de fundo comercial, pois na casa de jogos denominada Frontão faziam-se exibições pagas e um Sr. Faria possuía em 1932 um salão com quatro mesas alugadas por 500 réis a partida de 50 pontos. Por outro lado um grande idealista e competente desportista Joaquim Alves, à frente da seção do Clube Ginástico Português impulsionava o desporto, realizando jogos amistosos e disputas bem organizadas de Taças como a “Copa Lorenzo Nicolai”, de 1934, e a Taça “Ginástico Patriarca”, em 1932. 
 
Embora tenhamos a convicção de que o intercâmbio Rio x São Paulo se fez anteriormente, a primeira informação segura obtida refere-se a 1932 e vale a pensa descrevê-la com os dados fornecidos por Luiz Brasil Freões pelo pitoresco de seus incidentes. Nos primeiros dias de junho de 1932, a Liga Carioca de Ping-Pong e o E. C. Antártica resolveram disputar em São Paulo uma série d jogos. A equipe da liga era constituída por Hélio, Horácio, Nelson, Pizoti e Pindoba e a do clube pelos três últimos, mais Colosso e Luiz, que chefiariam as duas delegações. Dificuldades financeiras ameaçavam a excursão, mas a insistência de Pindoba obrigou os demais a embarcarem quase desprovidos de numerário no dia 8 de junho de 1932. Antes não o tivessem feito e por isso não perdoaram Pindoba (a quem atribuímos o título de primeiro “secura” do tênis de mesa brasileiro), pois que em Cruzeiro o trem ficaria duas horas, mesmo levando no último vagão o general Meira de Vasconcelos e seu estado Maior, designado comandante da Região Militar. Estouraria a Revolução Constitucionalista e, ao chegarem em São Paulo, em vez de desportistas a esperá-los, tiveram guarda de honra militar. E foi assim durante três meses. Tiveram que viver em São Paulo, amparados na medida do possível pelos desportistas da paulicéia, quer com alojamento nos salões dos clubes ou com presentes de mantimentos que tinham de ser preparados por eles próprios, quer com exibições de entradas pagas que quase nada rendiam, pois a época era de guerra. Contou-nos Luiz que uma série interminável de padecimentos eles sofreram, até ameaças à integridade por parte de elementos mais exaltados, um dos quais, ao receber de Luiz a resposta de que era gaúcho e não carioca, respondeu: “é a mesma coisa, eu quero é acertar alguém”. 
 
Em 1937, o raquetista paulista Rafael Bolgna leu na revista “Life” uma reportagem do ás norte-americano Lou Pagliaro e constatou a diferença entre o tênis de mesa nacional e o praticado no estrangeiro. Mesmo com a colaboração do jogador francês Kurt Ortweilor, radicado em São Paulo, não obteve este desportista boa acolhida na Associação de Ping-Pong, mas, não esmorecendo, conseguiu que a colônia húngara, sob o patrocínio do Sr. Leon Orban promovesse a vinda ao Brasil em 1938 dos ases mundiais M. Szabados e I. Kellen. Apesar das diferenças das regras e das dimensões da mesa, Ricardo D’Angelo bateu Szabados perante cerca de duas mil pessoas, obtendo assim a primeira vitória internacional do Brasil. Foi então que os desportistas brasileiros tomaram conhecimento das novas regras, pois também no Rio o ás carioca Guilherme Ferreira não quis enfrentar o húngaro em vista da diferença de regras e, juntamente com Lourival de Carvalho e Djalma de Vicenzi encetaram a campanha de adoção das regras internacionais. Em 7 de novembro de 1940, o Clube Atlético Fazenda Estadual inaugurava a primeira mesa de tênis no Brasil, e a antiga Associação de Ping-Pong transformava-se em julho de 1941 em Federação Paulista de Tênis de Mesa. Em outubro deste ano, o C.A.F.E. vem ao Rio de Janeiro e disputa jogos pela nova regras com o Fluminense, Tijuca e Braz de Pina, levando Di Vicenzi a fundar em 10 de novembro a Federação Metropolitana de Tênis de Mesa na Sede do Tijuca Tênis Clube e apoiado pelos grandes clubes do Rio.  
 
Em janeiro de 1942, os cariocas representados por De Vicenzi, A. Neves e G. Ferreira, além dos paulistas Bologna, F. Nunes e W. Silva, aprovam a tradução das regras e assinam convênios que levam à oficialização do Tênis de Mesa pela C.B.D. (Confederação Brasileira de Desportos). Em 1947, graças aos esforços de De Vicenzi, o Brasil participa do 3º Campeonato Sul-Americano e o internacional, tão indispensável para o nosso progresso, se intensifica com a idéia de Mário Jofre de participar dos mundiais – idéia que Dagoberto Midosi pôs em execução e que estes dois desportistas concretizaram com o auxílio de outros. 

Fonte: O tênis de mesa no Brasil