Destaque de projeto social brilha nas quadras e sonha com pódio em 2016

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Data: 10/01/2014

Por: Carol Fontes (RJ)

Destaque de projeto social brilha nas quadras e sonha com pódio em 2016.

Aos 17 anos, Lohaynny Vicente coleciona vitórias e renova as esperanças em busca de melhores resultados. Atleta foi eleita a melhor do badminton no Brasil em 2013

Um projeto que busca a inclusão social através do badminton na comunidade da Chacrinha, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, trouxe a esperança de resultados melhores para o Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016. Eleita a melhor atleta da modalidade no Prêmio Brasil Olímpico de 2013, Lohaynny Vicente tem apenas 17 anos, mas já coleciona importantes conquistas em torneios internacionais. Entrou para a seleção brasileira adulta aos 13, foi tricampeã pan-americana pela categoria júnior e surpreendeu nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, aos 15. Na ocasião, carioca assegurou a vaga nas quartas de final, mas sucumbiu à canadense Joycelin Ko em seguida.


Recuperada de uma lesão que a afastou das quadras por mais de um ano, Lohaynny sagrou-se vice-campeã do Aberto do Brasil de Badminton e se classificou para quatro finais de torneios do circuito profissional em 2013, comparáveis aos Challengers no tênis. Além do ouro em simples e em duplas (com Paula Pereira) no Argentina Internacional, ela também levou prata e ouro, respectivamente, em Foz do Iguaçu. Degraus em busca de um sonho maior, uma medalha olímpica, feito que a colocaria para a história da modalidade.

- Estou trabalhando muito e fiquei muito feliz por ter sido eleita a melhor atleta do badminton, eu não esperava por isso. Treino duas horas por dia, de segunda a sábado, e acredito que podemos garantir um lugar no pódio, que é o meu maior sonho. Depois dos Jogos de Londres, recebemos muito apoio do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), por isso, as expectativas são grandes - contou a atleta, que gosta de praticar natação e ir ao shopping nas horas vagas.

Lohaynny e a irmã, Luana, são conhecidas na Chacrinha como "Irmãs Williams". Assim como as tenistas americanas Serena e Venus, elas andam com raquetes para cima e para baixo. Mas, em vez de bolinhas amarelas, jogam com petecas.

- Conheci o badminton através da minha irmã, eu nunca tinha visto, não fazia ideia como era. Ela foi no clube um dia, viu um jogo de badminton e voltou para casa toda animada por conhecer um esporte novo, que era irado. Eu fiquei curiosa, fui conhecer e não parei mais. Na época, eu tinha sete anos e era uma brincadeira, mas acabou virando coisa séria - contou Lohaynny, fã de Serena.

O clube, próximo à Praça Seca, em Jacarepaguá, tornou-se a sede do projeto social, o Miratus, que conta com um centro de treinamento voltado para o badminton. Criada em 1998 por Sebastião Oliveira, a iniciativa começou como um meio de afastar crianças e adolescentes da comunidade da marginalidade, mas acabou se tornando um celeiro de atletas. Apesar de pouco conhecido no Brasil, o esporte é praticado em mais de 140 países.

Se hoje viaja o mundo para competir, tendo passado por países como México, Peru, Holanda, Portugal, Dinamarca e França, a atleta lembra que a realidade era bem diferente quando deu os primeiros passos na modalidade.

- Como não tínhamos dinheiro para comprar raquetes novas, tínhamos que improvisar. Quando as cordas estouravam, amarrava de novo, colava as petecas e penas da peteca, a gente sempre dava um jeitinho. Apesar de não ter estrutura na época, treinávamos faça chuva ou faça sol, descalços... Quando entrei para a seleção brasileira, a Confederação de Badminton ajudou o Miratus, que hoje tem um centro de treinamento voltado para a modalidade.

O badminton é muito popular em países asiáticos, como Paquistão, Índia, China, Indonésia, Tailândia, Malásia e Japão, explicando assim o segundo lugar no ranking dos desportos mais praticados no mundo. Também conta com praticantes na Europa, na América do Norte, na América Central e na América do Sul. Países como Estados Unidos, México, Canadá, Peru e Brasil também estão entre os que praticam a modalidade.

Brasil já tem sete atletas no top 100 do badminton

Em evolução, o Brasil vive a sua melhor fase no badminton, que faz do programa olímpico desde Barcelona 1992 (foi disputado como exibição em Munique 1972 e Seul 1988). No momento, o país conta com sete atletas/duplas entre os 100 melhores do mundo e já assegurou uma vaga no masculino e outra no feminino. A delegação verde e amarela pode aumentar nas duplas, caso um atleta se classifique como melhor das Américas.

Lohaynny ocupa a 80ª posição no ranking mundial, após o título no México, e Fabiana Silva está na 84ª colocação. Elas são a quinta e a sexta colocadas do continente, respectivamente, mas garantem a vaga (a melhor delas) mesmo sem a classificação do Brasil.

Nas duplas mistas, Daniel Paiola e Paula Pereira estão no 62º lugar, seguidos pela parceria formada por Hugo Arthuso e Fabiana Silva.

Nas Américas, por sua vez, estão em terceiro e quarto lugares, brigando com americanos e mexicanos por uma vaga no Rio. Entre as mulheres, Paula Pereira e Lohaynny são a 81ª dupla do ranking, enquanto Ana Paula Campos e Yasmin Cury aparecem em 94º.

O melhor posto do Brasil nas duplas masculinas é de Alex Tjong e Hugo Arthuso, na 64ª posição. Os brasileiros, terceiro das Américas, estão muito perto da vaga olímpica. Entre os homens, Daniel Paiola é o 112º no mundo e o quarto no continente.

Fonte: Globo Esporte